J L Semeador – José Luiz dos Santos - Cidadão Brasileiro, com muita honra e felicidade. Carioca da gema, nascido no subúrbio de Realengo, local por onde o cantor, compositor e Ministro Gil, começou a abraçar o Brasil. Em outro subúrbio fui criado - Guadalupe - onde também moraram Caetano Veloso, antes de andar "sem lenço e sem documento", e João do Vale, aquele do "Carcará / pega mata e come".
Atualmente, moro no Centro do Rio, fazendo limites com o Estácio, Santa Teresa, Central do Brasil e Lapa. Para mim, o melhor lugar do mundo para morar e viver. Quase Jornalista, quase Administrador de Empresas. Professor do Ensino Fundamental, que nunca chegou a exercer o magistério. Advogado por profissão, pós-graduado em Direito do Trabalho e Sindical. Poeta por opção e vontade. Atualmente cursando uma pós em Docência do Ensino Superior.
Pai de três filhos lindos e criados, cada um de uma relação diferente. Religião Espírita, a única que respondeu a quase todas as minhas indagações existenciais. Através do Espiritismo despertei para a necessidade de praticar a caridade, o que hoje faço em diversas frentes de trabalho voluntário. Ah, sem esquecer de ser caridoso comigo mesmo, em primeiro lugar. Quando em anteriores andanças pelas roças de candomblé da Zona Oeste do Rio, segundo Ifá, ao rolar dos búzios, diziam-me Filho de Xangô. Signo de Touro. No Horóscopo Chinês sou Tigre.
Já fui comunista de carteirinha, membro do PCB. A minha filha mais nova - a Olga - foi batizada em homenagem àqueloutra - Olga Benário que foi companheira do Camarada Luiz Carlos Prestes. Hoje, na vida, apenas, posso dizer que sou um cara em permanente luta com as minhas inúmeras contradições. Alguém em busca do auto-conhecimento. Alguém no difícil aprendizado do Amor, tal como foi exemplificado pelo Mestre Jesus. http://recantodasletras.uol.com.br/autor.php?id=32265
eu sou o rei da boemia
carioca, sou da lapa, patrimônio cultural
e me banhei de alegria, tiro onda, dou meu jeito
minha vida é um carnaval
JL Santos
ALMA E ARTE
A alma é sublime essência.
A arte é a linguagem da alma.
A alma sonha com a divindade.
A arte mostra-lhe o caminho.
A arte é beleza:
Senso estético em sua maior pureza,
Buscando, nois desvãos do sentimento,
Encontrar perfeita harmonia, mágico momento.
A alma é flor,
Nascida em terrenos diversos,
Mas fadada ao amor
E a conquista de Universos.
Alma e Arte.
Indestrutível união.
Todo e parte.
Linguagem do coração.
JL Santos
AMOR CULTIVADO
Amor é tudo de que disponho,
embora ele exista apenas no meu sonho.
Porém eu sei, que sonhos
são meio como sementes,
que devem ser semeadas,
regadas e cultivadas,
até que se transformem
em árvores frondosas,
a sombrear nosso futuro,
e depois servir de escada
para transpor o muro,
que sempre se ergue
no meio da estrada escolhida.
JL Santos
POEMA PELO DIA DA
CONSCIÊNCIA NEGRA
CONSCIÊNCIA MULTICOR
Fubá-obá, caju-açu, murô-xilá,
batuquejê, maculelê, vossa mercê,
saravá minzinfiu, atô-tô atô
marabô-já, sassafraz-traz, aiô oguntê. . .
Agora pergunto ao sinhô,
pergunto franco a você,
qual a cor da consciência?
Quem já a viu de verdade?
Será que pintá-la lhe confere decência,
definindo-a com propriedade?
Hoje, assim refletindo,
descobri, que a minha é multicor:
mestiça, misturada, miscigenada.
Branca, pelo senhor de engenho,
que comia as escravas sorrindo
e mesmo uma ou outra índia,
que se lhe passasse no caminho.
Mestiça, ainda, que o mesmo fazia,
todo e qualquer feitor.
Assim, coloriu-se a minha consciência,
ensolarou-se, enluarou-se, amalgamou-se . . .
Cafuza, mameluca, malê,
portuguesa, francesa, tapuia,
quem sabe, até mesmo judia?
Mestiça, com muito valor.
Amo-a, desse jeito, bem misturada;
e respondo se me perguntarem,
como Einstein,
alemão e judeu:
É apenas humana, mais nada !!
JL Santos
DE NOVO SEGUNDA-FEIRA
.
O domingo, ontem, amanheceu encantado,
Porém, quando dou por mim, já não o é mais.
É madrugada, é segunda-feira, tudo é passado,
Maio no calendário, abril já ficou pra trás.
E assim se faz a marcha do tempo, inexorável,
Chronus a seguir sisudo, com sua lanterna.
E mesmo que eu, na vida, quede-me imóvel
A sua jornada não se interrompe, por eterna.
Tempo há, em que se pensa ter todo o tempo,
Mas eis que ele passa e, enfim, descobrimos,
Que essa nossa ilusão só nos traz desalento,
Ainda mais, se sabendo-a falsa, nela persistimos.
E nesse passo, de novo segunda-feira,
Madrugada em mim e lá fora, na rua,
Triste e calada, como uma freira,
Insistindo em me lembrar da ausência tua.
JL Santos
SONETO DA TRISTE MADRUGADA
O sol sempre custa muito a aparecer,
quando a madrugada se faz eterna,
na insistência do que teima em não morrer:
essa ausência tua, que me desgoverna.
Acordado, já estou há algum tempo.
Talvez, nem tenha ainda dormido;
de turva a água onde eu garimpo,
nem sei mais o caminho percorrido.
Tanto, que penso ser alucinação
o ruído longínquo do ônibus que passa
em busca do terminal da solidão
onde todas as dores de aproximam,
feito novelo que um gato embaraça,
unindo, sem solução, os que lastimam. . .
JL Santos
UM OUTRO ESTADO DO MEU SER
Tenho aprendido
uma nova maneira de decodificar o mundo,
uma nova maneira de ver a vida:
Olho para um mendigo
e, apenas, vejo um ser por mim desconhecido;
Olho para um louco
e concluo, que meu referencial, para defini-lo, é bem pouco;
Olho para um bêbado
e descubro alguém que, de si, se perdeu;
Olho para um gênio
e só enxergo um pigmeu.
E quando, em espanto,
refletindo toda a minha vivência,
olho pra mim mesmo,
eu que sou rotulado são,
não consigo me ver lúcido,
pois descubro a existência
de um espaço desconhecido
no meu próprio coração.
JL Santos
HOJE O DIA ESTÁ LINDO
Hoje, apesar de chuvoso, o dia está lindo.
Na manhã, som de chuva e canto de pássaros.
Na rua, passa uma criança sorrindo
E mesmo sem vê-la, ouço-lhe o riso e os passos.
Acordei contente, pelo melhor esperando.
Nunca, antes, acalentei tantos sonhos.
É que hoje, apesar de chuvoso, o dia está lindo.
Há som de chuva e canto de pássaros;
Sei, que uma felicidade irreversível vem vindo.
Sinto um ânimo, que desconhece medos,
Uma sede de viver, em mim explodindo;
Em plenitude, exaltam-se meus sentidos.
Hoje, apesar de chuvoso, o dia está lindo.
JL Santos
POEMA QUASE COMPLETO
Viver quase me basta.
Sonhar quase me consola.
Comer quase me sacia.
Tudo sempre quase.
Tudo, quase sempre,
no limite de quase tudo,
porém, sem nunca atingir à meta,
que quase sempre se afasta
à nossa aproximação,
apesar de a vermos quase perto,
quase ao alcance da mão.
JL Santos
FOME DE MIM
Hoje, tenho fome de me compreender.
Fome crônica, de tão antiga.
Fome de me desfazer do que me mata,
como se faz com a barata
no canto da parede encurralada.
Fome, que nenhum alimento sacia,
que nada que me seja dado aplacará.
Fome de remédio para as minhas dores:
de amar,
viver,
descobrir
e sonhar.
Fome de partir de mim mesmo
rumo a qualquer lugar.
Fome de drogas
que ainda não se conseguiu inventar.
Fome de minha antiga fome
de coisas pequenas e banais.
Fome de sexo e abstinência,
de reclusão e independência,
de me deixar fluir feito o rio
que sempre encontra sua foz
mesmo que, com minhas mãos frágeis,
eu insista em represá-lo.
Hoje, tenho fome.
Muita fome!
Por favor, sirvam-me depressa,
numa enorme travessa,
um mundo novo
sem horror
ou qualquer outra mazela
que lhe altere o sabor;
uma fatia imensa de bondade
sem caroços que me engasguem
ou provoquem indigestão;
um espelho mágico, na saída,
onde eu possa ver refletida
a outra face, a escondida,
do meu próprio coração.
JL Santos
FAÇAM O JOGO, SENHORES!!!
Eu e mais ninguém
ali parado,
expectante,
no vértice da vida,
no vórtice do mundo,
jogando todas as minhas fichas
numa única cartada,
arriscando a sorte
no próximo segundo,
no próximo girar da roleta,
tudo na mesa,
vida e morte,
tarde demais pra recuar.
O mundo então pos-se a girar
girar
girar
girar
girar
e parou. . .
Perdi!
De nada adianta chorar.
O crupiê me olha,
recolhe o que havia sobre o pano,
fragmentos em madreperóla do meu desengano,
enquanto repete a sorrir:
Façam o jogo, senhores!!!
JL Santos
DESENCONTRO
Entre nós há somente
uma voz, que se fez calada.
Entre nós há uma semente
que restou ingerminada,
lançada à terra, que fora,
totalmente fora de hora.
Entre nós existe uma ponte
que a última chuva levou;
uma bússola que perdeu o norte
depois que caiu de muito alto,
no chão duro da alma,
de quem não supusera o drama.
Entre nós, uma tempestade:
raios, trovões, ventania;
chuva que caiu com alarde,
quando se finava o dia
e o sol se recolhia no poente,
refúgio do meu peito dormente.
Entre nós, tudo se fez sem sentido,
espinho agudo, no coração fincado;
ônibus que partiu sem destino,
guiado por motorista em desatino,
como nave espacial flamejante,
num céu sem um único diamante.
JL Santos
O AMOR É A BASE DE TUDO
A base de tudo, na vida,
seja o que for;
de toda a corte,
de toda a dança,
de tudo o que independe de sorte,
é unicamente o amor.
A alquimia afetiva
é pelo amor determinada:
os passos,
as atrações,
os volteios,
seja num pas-de-deux,
sejam os arabescos,
desenhados na passarela
por mestre-sala e porta-bandeira,
ou um breve encontro de olhares,
que depois se perde no nada.
O mais é balela,
arengação passadeira,
que se perde no ar,
feito os ecos desafinados
dos sons de um piano
percutido sem elã,
por músico bisonho, a tocar,
perdido na tarde vã.
JL Santos
FALA-ME COM AMOR!!!
Fala-me da vida.
Fala-me da tua imagem invertida,
no espelho côncavo
do teu coração,
refletida.
Fala-me dos teus gostos.
Fala-me dos agostos
em que cachorros loucos
e impiedosos
rondaram a entrada do teu porão.
Fala-me dos teus sentidos,
dos teus túneis ensombrecidos,
que não se supusera havidos,
no teu ser de infinitos meandros .
Fala-me!
Mas, fala-me sem medo:
de deuses
e demônios,
de ninfas
e sereias,
de aves
e serpentes,
de tudo que é vário,
de tudo que é contrário,
de tudo que não tem lógica,
de tudo que é réplica,
de tudo o que não houve,
da vida que passa breve;
de mim, que sonho romper correntes,
de ti, do amor, sonho e semente.
Fala-me!
Mas, fala-me com amor:
de um dia, no futuro do tempo,
Onde a gente, vivendo um sonho límpido,
não sentirá mais horror.
Fala-me!
Mas, fala-me com gana:
de tudo o que não compactua
com a morte zanzando na rua,
com o abraço, no peito, retido,
com tudo o que não faça sentido,
com tudo o que, a Paz, sempre engana.
Fala-me!
Mas, fala-me logo.
A vida não é um jogo.
Pra continuar, assim, no perigo,
Ninguém tem mais muito fôlego.
JL Santos
O POEMA NÃO PODE
O poema não pode ser assim.
O poema não pode ser assado.
O poema não pode se mostrar de lado.
O poema não pode conter glútem,
nem agrotóxico.
O poema não pode ter palavras que sobrem.
Ah, também tem de ser lógico.
O poema não pode ter rima pobre,
nem exdrúxula.
O poema tem de ser orientado,
por astrolábio e bússola.
O poema, se concreto,
tem de ser desenhado à metro,
se haikai,
não pode gritar banzai,
se soneto,
obediente a decreto,
se cabrito,
não pode virar bode.
O poema não pode conter versos livres.
O poema tem de vestir-se à rigor.
De toda novidade, nutrir horror.
Delírios loucos, então, nem se fale,
aí é que ele nada vale.
O pobre do poema,
por decisão de alguns,
enfim, nada pode.
Se és dos que pensam assim:
que o poema nada pode.
Eu te digo do fundo de mim:
NÃO FODE !!
JL Santos
LEMBRANÇAS E DESEJOS
Por detrás dos desenhos das nuvens
que se formam no horizonte, nesse
momento raro em que a saudade
entra em meu peito como se mordesse,
Há um desejo envolvido em doces lembranças,
que insistem em de mim não partir;
feito no tempo, em que eu, criança,
teimava em fazer o que não me queriam permitir.
Ah essas nuvens, esses desejos.
Ah essas lembranças perdidas,
dos teus abraços e beijos
Aderidos à minha pele;
Lembranças, que julgara adormecidas,
mas que a ti, de novo, me impelem.
JL Santos
POEMA PARA MINHA MÃE E PARA
A MÃE DE MANUEL BANDEIRA
Minha Mãe
tinha o mesmo nome
que a Mãe
de Manuel Bandeira:
FRANCELINA !!
Apesar dos quase 85 anos,
ainda tem jeito de menina:
Brasileira.
Lutadora.
Digna!
Ao contrário da Outra,
não me pariu poeta.
Pariu-me:
Anônimo.
Pedreiro?
Faxineiro?
Mecânico?
Com muita sorte,
escriturário!
Minha Mãe
e a Mãe
de Manuel Bandeira
abençoaram-nos,
seus filhos muito amados:
Ele, um grande Poeta.
Eu, apenas poeta.
Nós dois:
Encontro mágico no Tempo.
JL Santos
O BRASIL AINDA NÃO SE DESCOBRIU
Ó irritantes maritacas,
Que passam voando, a gritar,
Semeando sementes boas
Para o meu sonho plantar.
Macacos vadios, me mordam,
Mas, depois, também me assoprem
E comigo se misturem,
Até que as catitas me lambam.
Papagaios de todo mundo,
Venham comer abiu,
Que, o Brasil, em sono profundo
Ainda não descobriu.
Ó país verde-dourado,
A carregar em suas costas
A fama de ter deflorado,
À seco, todas as índias,
Diga-me já, meu país:
A verdadeira cor do teu céu?
Se tua música é o creu?
Se a mandioca é a tua raiz?
JL Santos
NINGUÈM CONHECIDO
Sou alguém inquieto,
- no início da noite -
esperando um prêmio
ou um anjo,
que nunca chegam,
nem mandam notícias.
Sou alguém silente,
- à beira de mim -
ouvindo sons imprecisos,
que sobem até o nono andar,
apesar da cortina
e da grade da janela,
sempre fechada.
Eu sou alguém enovelado,
depois que caí da torre
e um caminhão me atropelou,
- na contramão das minhas dúvidas -
me deixando a mente fraturada
e profundas cicatrizes na alma.
Sou alguém que espera,
- num lugar sem esperança -
pelos meus sonhos de criança,
por dias amarelos de outono,
consciências limpas, sem sono,
um cão ladrando seis horas.
Eu não sou ninguém conhecido.
- antes eu até me sabia -
O tempo me urdiu um novo rosto.
O espelho me negou cumprimento.
A noite veio e me desmascarou.
Vou beber a noite na esquina.
É o que me restou.
JL Santos
RECEITA DE POESIA
Reúna palavras, a gosto,
sem descriminar nenhuma,
mesmo as estrangeiras,
e reserve.
Escolha a forma,
- eu disse fórma,
não fôrma -
que mais lhe aprouver:
trova, haikai, rondel,
ode, redondilha, cordel.
Faça versos livres,
se livre for o teu estilo
ou, metrificados,
se os gosta bem amarrados.
Depois de pronto, o poema,
leia-o em voz alta
sentindo a cadência e fluidez,
se acelerar o coração,
um leve arrepio,
na pele, ocorrer,
rejubile-se,
você sabe fazer poemas,
não precisando de receitas bestas,
feito essa,
que me saiu
a maior semgraceza.
JL Santos
O VAMPIRO DA MEIA-NOITE E MEIA
O vampiro da meia-noite ronda o meu pescoço.
Melhor seria dizer, da meia-noite e meia,
que, em se tratando de vampiros,
os caras não se ligam em hora cheia,
podendo atacar a qualquer momento
para morder uma jugular indefesa
e jantar, como nós jantamos, à mesa.
Vampiros, em todas as noites, espreitam.
Vampiros vivem no nosso lado mais escuro,
silentes e traiçoeiros, com seus dentes afiados,
seus olhos sem brilho, suas mãos macilentas;
sem temer, das noites, as tormentas,
fugindo dos dias em grotas soturnas,
até que a noite os instiguem a sair
em suas tenebrosas incursões noturnas.
Réstias de alho estendi na porta.
Balas de prata no meu revólver ilegal.
Água benta retirei da geladeira.
Estou pronto para a luta.
Vade retro, não caia dentro,
senhor vampiro caquético,
que aqui o pescoço é mais embaixo.
Vá tomar biotônico.
Vá beber uisque com plasma.
Devolva-ma logo a calma,
que eu só quero sono e cama.
JL Santos
COLOMBINA PÓS-MODERNA
Colombina,
aonde vai você?
Certamente,
Não vai dançar o iê-iê-iê,
Que isso não mais se usa,
Nesses tempos pós-modernos
Onde se usa e abusa
De modismos insossos
E passageiros.
Quem sabe,
aproveitar o desconto,
Do Cine Botafogo Art-Plex
Assistir filme chinês.
Talvez, quem sabe, ainda,
Desfilar na Banda de Ipanema,
No Cordão do Boitatá,
Ou no Bloco das Carmelitas,
- lampejo de súbita e tardia vocação religiosa -
Para salvar a alma de pierrôs entristecidos,
Bêbados de cerveja e solidão.
JL Santos
SONETO DE AMOR A UM
SANDUÍCHE DE SALMÃO
Pegue duas fatias de pão,
Desses de forma, é claro.
O suco de um pequeno limão,
Retire e reserve, para o preparo.
Uma posta de salmão
- Cozida com alho, cominho
E bastante manjericão -
Até ficar desmanchado.
Mostarda preta, acrescente-se
E o suco do limão reservado,
Mais duas folhas de alface,
Rúcula e cenoura ralada
com queijo branco amassado.
Acompanha, uma bebida gelada.
JL Santos
ROUBAR O MUNDO
FELICIDADE EM GOTAS
Sou sempre, assim, controverso
Acordo no meio da madrugada
Alegre ou triste, rabisco um verso
Deixando a vida fluir, e mais nada. . .
Às dez horas já sou um outro
Calço sapatos, visto terno e gravata
Da vida, seguindo ao encontro
Alegria, nos bolsos, renovada.
Depois do almoço, vem a sesta
Pois, às três, de novo na rua
Certeza, que a vida é festa
Vontade de roubar o mundo
O meu sorriso, a gazua
Felicidade em gotas: cada segundo!
(70º Aniversário da Declaração Universal dos Direitos da Humanidade)
JL Santos
A MÚMIA DO FARAÓ
Muuuuuuuuuuuuuuuuu
MIAUUUUUUUUUUUUUUU
mia gato mia mia gato mia
muge vaca muge muge vaca
múmia de terno e gravata
palito entre os dentes
desabotoado paletó
MUUUUUUUUUUUUUUUUU
a vaca concretista do caê assim suspira
o cão sem plumas do cabral só faz ladrar
auauauauauauauauauauauauauau
nada mau em se tratando de um cão quase espanhol
latindo para o sol que não virá
hummmmmmmmmmmmmmmm
queria um gole de rhum
não do creosatado que salvou o ilustre passageiro
queria cubano mas não tenho dinheiro
quero outro ano outro janeiro
outra festa de arromba ou feira moderna
sei lá o que eu quero
muuuuMIAUUUUMUUUUUUUUUUauauauauhummm
eu quero é soltar um pummmmmmmmmmmmm
eu quero é lugar nenhummmmmmmmmmmmmm
caminhar na rua principal da lua
pertinho dA ESTÁTUA DE São Jorge
sALVE JOrge salve ogum kHrISNA salve kaÔ
agogô atabaque peripaque nheco-nheco trelêLÊ
reco-reco, teleco-teco, ôba-ôba, sARGenteliiiiiiiiiiii
e suas mulatas que não estavam no mapa
nem na minha cama vazia de menino
cinco contra ummmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm
em desatino-tino-tinoooooooooooooooooooo
com MEDo da múMia do terrÌVeL faraóóóóóóóó uóuóuóuó
sentiMENTO eM desalento de daR dÓÓÓÓÓÓóóóó
tragédia refletida[]aditelfer no canto insolente do galo da madrugada
cócorócocócócorócocócócorócocócócorócocócócorócocó
saravá mizinfiuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu ?{§%*#!
JL Santos
O TOQUE DELICADO DOS TEUS DEDOS
O toque delicado dos teus dedos
revela os segredos mais sagrados,
mistérios acumulados ao longo dos tempos,
prêmio concedido apenas a iniciados.
Seriam dedos, ou varas de condão?
Setas indicativas de uma nova direção?
Ventos do norte grávidos de promessas?
Destino ansiado divisado entre brumas?
Nada sei, tudo é inusitadamente novo.
Paisagens desconhecidas, mas acolhedoras,
Perfumosas aragens que, sufocado, absorvo,
Tamanhas e tantas deliciosas surpresas
Bailando nesse céu em que me renovo:
Metas esquecidas, por fim alcançadas.
JL Santos
DIA DE FINADOS
O primeiro dos meus mortos
foi minha avó Joana.
A primeira que eu vi de olhos definitivamente fechados
a me mostrar, ainda menino,
toda a fragilidade da nossa dimensão humana.
Outros tantos vieram depois:
O meu tio Waldemar,
de quem peguei escondido dois ou três cigarros;
Dona Darcília, um simples vizinha,
Germana, prima velha de meu pai
que o tempo quase me fez esquecer.
Hoje, conto-os aos milhares,
Pois, morrer é destino
que o corpo carrega desde que nasce,
e mesmo enquanto crescer parece,
é da partida que está a se aproximar.
Seria bem triste a vida
se apenas esse fosse o nosso futuro,
se a morte fosse o fim total da lida,
erguendo-se intransponível diante de cada um de nós,
feito um muro,
legando à alma o vazio e o escuro,
depois de deixar a existência querida
como um perengrino sem estalagem ou amparo.
Ó dúvida secular!
Ó maldição concebida pelas trevas da ignorância
e por legiões de interesses espúrios!
Ó mentira, ó pérfida infâmia,
aquela que decretou que a alma
a outro corpo não poderia retornar.
Mentira que, ao mundo, trouxe toda a sorte de desatinos,
matando a esperança, estraçalhando a alegria,
até que o Espiritismos, de novo fez a luz brilhar,
recordandos aos povos: da alma, a imortalidade.
Concessão bendita do pai por muito nos amar.
Infinita e misericordiosa possibilidade
de sempre, sempre, recomeçar.
JL Santos
A SENTENÇA
CONDENATÓRIA DO AMOR
A declarada sentença do amor
Após longo e difícil julgamento
Foi pronunciada sem qualquer emoção
Sem qualquer fundamento
Condenando-se o amor-réu ao pagamento
De multa no valor de um milhão
Além de trabalhos forçados em favor
De um determinado elemento
Que se disse prejudicado
Numa certa ocasião
Por um ato ilegal perpetrado
Em noite de lua cheia
Quando sem pretexto ou motivo
O amor bateu-lhe na porta
Sob a forma de moça bonita
Para lhe servir de lenitivo
À sua enorme solidão
Assim como se torpedeia
Um navio no meio da escuridão.
Ainda, segundo os elementos dos autos
O indigitado sentimento
Na denúncia tipificado como mau elemento
Praticou toda a sorte de atos
Atentatórios à paz e a tranquilidade
Do nobre e pacato cidadão
Haja vista que sem requerimento ou permissão
Invadiu-lhe a alma
Alterou-lhe o destino
Subtraindo-lhe a calma
Levando-o ao desatino
Deixando-o incapaz, preso de forte emoção
Crime cruel de assassinato
De sua mais pura ilusão
Com a agravante da perfídia
Eis que o amor, logo instalado
Evadiu-se na calada da noite sombria
Deixando a sua incauta vítima
Órfã de felicidade e alegria
Atirado à rua, em meio ao frio e à lama.
Por todo o exposto
Reafirmo a condenação do Amor
Consoante acima estipulado
Que se cumpra, mesmo causando
Choro, angústia e dor
Sendo de tudo, o réu, desde já citado
Para, querendo, oferecer defesa
pois, não o fazendo
Será atado ao pé da mesa
Onde, sem direito a recurso, acabará perecendo.
JL Santos
NINGUÉM ME FALOU DE AMOR
Ninguém me falou
das águas revoltas
dos abismos impiedosos
das serpentes escondidas
nas voltas dos cipoais
dos lobos em seus covis
das palavras estreitas
que guardam sentidos ocultos
impedindo clara compreensão
dos batimentos irregulares
do meu descompassado coração
das trilhas íngremes
onde na noite me perdi.
Nada, nem um aviso sequer
nem uma sombra ao meio-dia
nenhum corpo de mulher
nenhum copo d' água
para a minha sede
nem um grito na garganta
tudo deserto lá fora
todos fugiram da vida
no mais completo desatino
em busca de outro lugar
de cura para a ferida
aberta cruamente na carne
pela navalha afiada
que insistem em chamar destino.
E olha que bem procurei
por um orelhão ou celular
com que eu pudesse pedir
clemência socorro perdão
uma moeda um pedaço de pão
uma pizza endurecida e fria
um táxi no meio da madrugada
que me conduzisse ao incerto
sem acidente ou parada
sem pernas dormentes
pela caminhada
sem conversa sem nexo
sem bala perdida ou achada
sem porra nenhuma
que não fosse
essa nervosa espera
pelo nada.
JL Santos
O AMOR RODOU A BAIANA
Dizem que o amor morreu à míngua
aprisionado no fundo de um porão
dizem ainda as más línguas
que ele fugiu de casa
no ombro uma mochila velha
com suas roupas rasgadas
um sapato bem roto
no bolso parcos trocados
na alma um sentimento de espanto
no juízo faltando um telha
na mente perplexidade
diante da insensatez
dos que dizem buscar a felicidade.
Tanta coisa tem sito dita
quem tem boca fala o que quer
mas ninguém de fato é capaz
de explicar essa atitude do amor
talvez surto de loucura
ou amargura e dissabor
diante de tanta procura
sem base nem fundamento
a que se lança a criatura
buscando fora o que é de dentro
querendo achar onde não existe
o remédio que é veneno
para a angústia que persiste.
Essas razões meio ilógicas
assim expostas ao vento
talvez expliquem o porquê
do amor querer desertar
do seu ofício maior
que é a vida alegrar
de forma leve e feliz
de um jeito até demodê
do modo que o mundo não quis.
JL Santos
O AMOR MULTIPLICADO
Amo-te enfim sem dúvidas
amo-te sem nada pedir
que amor é sentimento danado
ao mesmo tempo em que mais se doa
mais ele cisma de insistir
em nos voltar multiplicado.
JL Santos
GRITAR, VERBO IRREGULAR
Eu grito
tu gritas
ele grita.
Só não grita
quem tranca no peito
da vida, as dores e mágoas.
JL Santos
POESIA SEM TRUQUES
Nada na manga,
nada na mão,
no bolso, muito menos,
assim se faz poesia,
com o que transborda do coração,
com arte divina e magia,
que flui da ponta dos dedos.
JL Santos
POEMA DE ANIVERSÁRIO Nº 04
Acordo e lembro:
Hoje é teu aniversário.
Dia por demais raro
pra ficar no esquecimento.
Deves completar vinte e uns.
O total, não importa.
Pois, não são os anos
O que verdadeiramente marca
E sim o sentimento que espalhamos,
O que deixamos de nós
Pelos caminhos, pelo ar
Nessa aventura singela,
Que viver é sempre a coisa mais bela
No nosso aprendizado de amar.
JL Santos






















































